"Hay una patria que nos concede la condición de ciudadanos. Hay una patria que nos facilita el pasaporte, que nos permite viajar siendo extranjeros documentados; hay una patria a la que damos parte del sueldo, a la que reclamamos algo en correspondencia, cosas concretas que ayuden mínimamente a la inalcanzable felicidad, una escuela, un hospital, un futuro no demasiado incierto. Hay una patria que está escrita en un pliego de derechos y deberes. La patria en la que los ciudadanos de nacimiento podemos disfrutar de la posibilidad de nacer y morir en el mismo sitio, la patria de aquel que, aun con todo, detesta su patria o la del que la disfruta porque deja atrás otra patria imposible. Es esa patria que se lleva en el pasaporte, ese salvoconducto al que nos aferramos en las fronteras donde más de una vez hemos visto cómo alguien lloraba desconsolado por haberlo perdido y convertirse de repente en nadie.
Hay otra patria. Aunque los neurólogos ya han dejado claro que los sentimientos están dirigidos por la cabeza, pervivirá en nosotros el gesto de llevarnos la mano al corazón. Hay otra patria, pues, que está en el corazón. Está compuesta de cosas íntimas, difíciles de explicar, aunque la literatura y la música se hayan deshecho en explicaciones. La calle en la que nacimos, la lluvia del pasado, los antiguos olores, la mano de tus padres, los juegos, las canciones tontas de la infancia, las palabras que te proporcionaban seguridad y las que te dieron miedo. Todo eso ya está contado, aunque nos encante repetir y escuchar la misma historia. Hay veces que los políticos confunden la patria cívica con la patria del corazón. Y hay ciudadanos que, lejos de desconfiar en quien se mete tan intrusivamente en las emociones, entienden que los partidos hacen bien en exaltarlas. Pero hay otros (entre los cuales me encuentro) que, cuando un político anima a salir a las calles para mostrar orgullo en el día de la patria, agitar banderitas, sentir alegría por la azarosa nacionalidad o aplaudirle a un carro de combate, optan por celebrar la fiesta a la manera de Brassens, levantándose tarde y disfrutando de la anhelada pereza. Placeres de la patria íntima en la que detesto que nadie se inmiscuya." (EL PAIS, Elvira Lindo)
17.10.07
16.10.07
Al Gore e o ódio da direita americana
«Which brings us to the biggest reason the right hates Mr. Gore: in his case the smear campaign has failed. He’s taken everything they could throw at him, and emerged more respected, and more credible, than ever. And it drives them crazy.» (Paul Krugman, New York Times)
29.8.07
26.7.07
Olhó radar
Mapa dos radares da cidade de LisboaLisboa a cidade radar! Num ápice, em avenidas como : Av. de Ceuta, Av. da Índia, Av. Brasília entre outras, os automobilistas não podem exceder os 50 kms/h (excepção feita à radial de Benfica e 2ª circular onde o limite é de 80 kms/h).
Depois do período experimental, os radares funcionam actualmente em regime sancionatório desde o passado dia 9 de Julho. As infracções cometidas durante a primeira semana de actividade dos radares irão render no mínimo mais de 1 milhão de euros, dos quais mais de 320 mil terão como destino os cofres da Câmara Municipal.
Ora estes radares não são mais do que "mais uma galinha de ovos de ouro" da Câmara de Lisboa.
Veículos ligeiros que excedam em 20 km/h os limites nestas vias, dentro das localidades, poderão ter de pagar coimas entre os 60 e os 300 euros.
Excessos para prevenir excessos portanto!
Pelo menos o insólito já não sucederá aparentemente: um Subaru!! camuflado(bela prevenção!) persegue um Smart infractor, que circula a 73 kms/h na Av. da Índia..
Quero -vos desejar :
"boa sorte, tudo de bom!"
15.7.07
No país dos Índios do Colombo
Assembleia Geral do Sport Lisboa e BenficaComo estava previsto à partida, os chineses não apresentaram uma OPA sobre o capital da Benfica SAD.
Afinal não preferiram o Sport Lisboa e Benfica ao Sporting Clube de Portugal; afinal o empresário Vasco Pereira Coutinho já não garante a credibilidade da história, desconhecendo a identidade dos chineses, apesar de ter referido anteriormente:"O grupo está interessado em comprar um clube na Europa. Como temos relações antigas perguntaram-me se podia facilitar contactos em Portugal."; afinal uns investidores chicos-espertos ganharam "umas valentes massas" com as acções a subirem 60% num só dia. Afinal os investidores orientais não existem, afinal não vamos ver o pluribus unum em mandarim nos seus mais de oitenta mil caracteres.
A CMVM promete uma punição exemplar aos autores desta proeza bolsista.
A ver vamos..
Glolioso..mas polquê?
17.6.07
Pegada ecológica
Avaliar até que ponto o nosso impacto já ultrapassou o limite é, portanto, essencial, pois só assim somos capazes avaliar se vivemos de forma sustentável. Isto não significa, claro, que se possa consumir e gastar mais ainda há capacidade disponível: pelo contrário, se queremos deixar espaço para as outras espécies e para os habitantes futuros, há que lhes reservar o máximo de espaço. Em todo o caso a taxa de consumo de “capital natural” já é superior à sua taxa de reposição, pelo que não há qualquer desculpa para continuar com práticas agressivas do ambiente.
Assim nasceu o conceito de “Pegada Ecológica”,criado por William Rees e Mathis Wackernagel (que se basearam no conceito de “capacidade de carga” ), a permitindo calcular a área de terreno produtivo necessária para sustentar o nosso estilo de vida.
Foram escolhidas várias categorias de terrenos (agrícola, pastagens, oceanos, floresta, energia fóssil e construídos) e de consumo (alimentação, habitação, energia, bens de consumo, transportes, etc.). Cada categoria de consumo é convertida numa área de terreno (em princípio de uma das categorias apresentadas) por meio de factores calculados para o efeito.

No caso da alimentação, o cálculo é simples: basta dividir o consumo de dada cultura agrícola (expresso em toneladas, por exemplo) pela produtividade da terra (expressa em toneladas por hectare). É ainda necessário ter em conta as importações e exportações desse mesmo produto ou de produtos que o utilizem.
A estimativa da Pegada Ecológica do queijo, por exemplo, é obtida convertendo a produção de queijo em equivalentes de leite (em média, 10 L de leite são necessários para 1 kg de queijo).
Somando as várias pegadas parcelares obtemos um valor global que representa uma área produtiva capaz de repor, pelo menos em teoria, o capital natural por nós consumido. Esta área pode ser comparada com o espaço efectivamente existente (“biocapacidade”), concluindo-se assim a sustentabilidade do sistema.
Contudo, existem ainda vários impactos que não estão contabilizados na Pegada Ecológica, sendo o valor obtido, uma estimativa por defeito.
Contudo, existem ainda vários impactos que não estão contabilizados na Pegada Ecológica, sendo o valor obtido, uma estimativa por defeito.
Saliente-se ainda a incerteza inerente aos cálculos que, baseando-se em inúmeras assunções, se podem tornar pouco rigorosos.Compreender as limitações de um indicador como a Pegada Ecológica, torna-se fundamental por forma a evitar tirar conclusões precipitadas. Esta informação deve ser complementada com outros dados específicos e indicadores mais fiáveis.
Ainda assim, e sobretudo devido à mensagem simples e facilmente perceptível que a pegada transmite, esta tem um potencial muito elevado ao nível da sensibilização e educação para o desenvolvimento sustentável.
Assinalem-se ainda as dezenas de cálculos da Pegada Ecológica de municípios um pouco por todo o mundo e de 50 países. Para assinalar o Dia da Terra (22 de Abril) foi desenvolvida uma calculadora que permite, através da resposta a diversas perguntas, calcular a pegada individual.
A Pegada Ecológica permite evidenciar assim, de que forma as alterações no nosso estilo de vida, poderão influenciar o tamanho da nossa pegada: o aumento de pessoas que vivam na mesma casa permite a partilha entre residentes do consumo de energia; uma dieta baseada em plantações requer em geral menos terra e energia do que uma dieta baseada em animais; o uso de transportes públicos em detrimento de privados ou uso de fontes de energia renovável e práticas de conservação são exemplos de iniciativas que poderão reduzir substancialmente a nossa Pegada Ecológica.
Todos os esforços de conservação são benéficos e o questionário da Pegada Ecológica surge mais como um instrumento de aprendizagem, não avaliando todos os nossos impactos na natureza.
Para além do nosso próprio consumo, com vista a mantermos os recursos naturais em equilíbrio, teremos que abordar a questão da dimensão da população. Como a biosfera é finita, quanto maior a população mundial, menos recursos terrestres estarão disponíveis por indivíduo.
Todos os esforços de conservação são benéficos e o questionário da Pegada Ecológica surge mais como um instrumento de aprendizagem, não avaliando todos os nossos impactos na natureza.
Para além do nosso próprio consumo, com vista a mantermos os recursos naturais em equilíbrio, teremos que abordar a questão da dimensão da população. Como a biosfera é finita, quanto maior a população mundial, menos recursos terrestres estarão disponíveis por indivíduo.
“A mãe natureza não tem telemóvel. Não usa e-mail.[...]. Ela leva o seu tempo...” (David Suzuki, 2004).
Faça o questionário e aplique no seu dia-a-dia uma melhor gestão dos recursos de que dispõe.
Nota: A Pegada Ecológica é adequada para cada país de acordo com dados nacionais relativos a variações regionais climáticas, estilos de construção de casas, transporte.
Nota: A Pegada Ecológica é adequada para cada país de acordo com dados nacionais relativos a variações regionais climáticas, estilos de construção de casas, transporte.
Pegada ecológica http://www.earthday.net/footprint/index.asp#
Imagem da Semana
27.5.07
O pesadelo do sonho europeu
Melilla, Setembro 2004. No perímetro da cidade alguns africanos tentam saltar a vedação que os separa do sonho europeu, uma noite como tantas outras neste enclave, mas inesquecível para Ibrahim Bertrand. A dor provocada por uma bala de borracha que o atingiu junto ao olho esquerdo, fê-lo esquecer momentaneamente o misto de medo e excitação por pisar, pela oitava vez, solo espanhol.
Ceuta, Setembro 2005. Os subsarianos que tentaram saltar a cerca fronteiriça de Ceuta, viram-se cercados entre balas de borracha disparadas por polícias espanhóis e disparos procedentes da polícia e exército marroquino. De acordo com a Euronews, Espanha e Marrocos trocam acusações quanto às causas da morte dos imigrantes ilegais. “Madrid afirma que as autópsias feitas aos mortos do lado espanhol da fronteira revelaram ferimentos com bala real, munição de que os militares espanhóis em patrulha não dispõem. Na fronteira marroquina, onde foram recolhidos os outros cadáveres, uma fonte oficial disse que os ferimentos mortais foram causados por balas de borracha e negou quaisquer disparos.”
Nas últimas semanas, a tentativa de centenas de africanos para entrar em solo europeu, através das cidades autónomas espanholas de Melilla e Ceuta, resultou em pelo menos 11 mortos. Numa tentativa para travar o fluxo de imigrantes, o governo espanhol prometeu intensificar esforços, nomeadamente com a elevação da vedação nos postos fronteiriços para uma altura de seis metros e com o envio de mais tropas para ajudarem a patrulhar a área. Por seu turno, a Comissão Europeia já disponibilizou 40 milhões de euros ao governo marroquino para reforçar medidas policiais e de protecção de fronteiras.
A ONU manifesta-se perante estes acontecimentos através da elaboração de um relatório onde reconhece o direito “soberano” dos Estados de impedir as entradas não autorizadas, mas alerta para o facto de que uma política “meramente restritiva das migrações ilegais não é desejável nem realizável”, porque pode “comprometer os direitos dos migrantes e dos refugiados”.
A bala que levou Ibrahim a ficar sem olho, foi, segundo o próprio, disparada pela Guardia Cívil espanhola, que o transportou de seguida, para o Hospital de Melilla. Devido à gravidade do ferimento, foi transferido para o Hospital de Málaga. "Ali soube que ia ficar sem olho e como não havia solução", conta, "pagaram-me o bilhete de avião para Melilla e levaram-me para o CETI [Centro de Estancia Temporal de Inmigrantes]".
Várias organizações não governamentais (ONG) têm vindo a criticar a força usada contra os africanos que tentam chegar à Europa através destes dois enclaves. O MSF constata que o aumento do fenómeno migratório tem sido acompanhado por uma escalada de violência empregue nas medidas destinadas ao seu controlo. Esta mesma organização comunicou recentemente a sua consternação, sublinhando que a prática de violência e de tratos degradantes aumenta o sofrimento e marginalização das pessoas que, ao procurarem uma vida melhor, se expõem a condições de subsistência e precariedade extremas, muitas vezes inumanas.
Camarões, Setembro 2000. Ibrahim Bertrand, tem 18 anos de idade, trabalha com um salário mensal de cerca de 150 euros. É a condição de pobreza em que a família vive que o leva a pedir aos pais que o deixem tentar encontrar "uma vida melhor, fora de África”.
Em Outubro 2000, com mais quatro amigos resolvem partir com destino a Melilla. Alugam um táxi que os leva até à Nigéria, e um outro até Níger. Ali chegados e com a Líbia pela frente, tiveram de alugar um jipe "suficientemente forte para atravessarem o deserto". Abasteceram-se, depois, com "40 litros de água, biscoitos e bananas". O dinheiro começava a escassear e por essa razão, conta, "dois dos nossos amigos tiveram medo e resolveram voltar para trás”. Persistentes continuam, mas à medida que avançavam a viagem complica-se. Foram assaltados por "pessoas do deserto", que levaram o pouco dinheiro e mantimentos que tinham e, mais tarde, a falta de água acaba por matar um dos amigos.
Nas últimas semanas, a tentativa de centenas de africanos para entrar em solo europeu, através das cidades autónomas espanholas de Melilla e Ceuta, resultou em pelo menos 11 mortos. Numa tentativa para travar o fluxo de imigrantes, o governo espanhol prometeu intensificar esforços, nomeadamente com a elevação da vedação nos postos fronteiriços para uma altura de seis metros e com o envio de mais tropas para ajudarem a patrulhar a área. Por seu turno, a Comissão Europeia já disponibilizou 40 milhões de euros ao governo marroquino para reforçar medidas policiais e de protecção de fronteiras.
A ONU manifesta-se perante estes acontecimentos através da elaboração de um relatório onde reconhece o direito “soberano” dos Estados de impedir as entradas não autorizadas, mas alerta para o facto de que uma política “meramente restritiva das migrações ilegais não é desejável nem realizável”, porque pode “comprometer os direitos dos migrantes e dos refugiados”.
A bala que levou Ibrahim a ficar sem olho, foi, segundo o próprio, disparada pela Guardia Cívil espanhola, que o transportou de seguida, para o Hospital de Melilla. Devido à gravidade do ferimento, foi transferido para o Hospital de Málaga. "Ali soube que ia ficar sem olho e como não havia solução", conta, "pagaram-me o bilhete de avião para Melilla e levaram-me para o CETI [Centro de Estancia Temporal de Inmigrantes]".
Várias organizações não governamentais (ONG) têm vindo a criticar a força usada contra os africanos que tentam chegar à Europa através destes dois enclaves. O MSF constata que o aumento do fenómeno migratório tem sido acompanhado por uma escalada de violência empregue nas medidas destinadas ao seu controlo. Esta mesma organização comunicou recentemente a sua consternação, sublinhando que a prática de violência e de tratos degradantes aumenta o sofrimento e marginalização das pessoas que, ao procurarem uma vida melhor, se expõem a condições de subsistência e precariedade extremas, muitas vezes inumanas.
Camarões, Setembro 2000. Ibrahim Bertrand, tem 18 anos de idade, trabalha com um salário mensal de cerca de 150 euros. É a condição de pobreza em que a família vive que o leva a pedir aos pais que o deixem tentar encontrar "uma vida melhor, fora de África”.
Em Outubro 2000, com mais quatro amigos resolvem partir com destino a Melilla. Alugam um táxi que os leva até à Nigéria, e um outro até Níger. Ali chegados e com a Líbia pela frente, tiveram de alugar um jipe "suficientemente forte para atravessarem o deserto". Abasteceram-se, depois, com "40 litros de água, biscoitos e bananas". O dinheiro começava a escassear e por essa razão, conta, "dois dos nossos amigos tiveram medo e resolveram voltar para trás”. Persistentes continuam, mas à medida que avançavam a viagem complica-se. Foram assaltados por "pessoas do deserto", que levaram o pouco dinheiro e mantimentos que tinham e, mais tarde, a falta de água acaba por matar um dos amigos.
Já na Líbia, reduzidos a um grupo de dois e sem dinheiro, Ibrahim e Simon, acabam por ficar em Tripoli durante mais de dois anos a transportar carga para navios, sempre que a empresa os chamava. Recebiam cerca de oito euros por um dia de trabalho e juntavam tudo o que podiam para prosseguir viagem. “Morávamos juntos, mas a vida era muito, muito difícil… as condições eram péssimas… trabalhávamos sob um sol escaldante e comida boa só havia para quem tivesse muito dinheiro”.
Quando entre os dois conseguiram juntar 400 euros, alugaram um outro táxi e partiram para a Argélia. Chegam passado um mês a Oran onde se separam. Simon, na altura já com 18 anos, quer tentar a sua sorte no mundo do futebol desta cidade argelina – “o meu sonho é ser um grande jogador", explica. Ibrahim, mesmo depois de dar conta que tinha perdido o seu passaporte segue viagem para o norte de Marrocos, com destino à cidade autónoma espanhola de Melilla.
“Vivo durante a noite, de dia escondo-me”.
Em Nador, cidade vizinha de Melilla, conta que “tentava todas as noites passar a fronteira”. Por sete vezes conseguiu pisar solo espanhol mas a Guardia Cívil acabava por o apanhar entregando-o à polícia marroquina. Uma dessas vezes, conta que a polícia marroquina o deportou para a Nigéria “não tinham dinheiro para me levar até ao meu país", explica. Depois, "por sorte” chegaram à Argélia durante a noite "e eu consegui fugir dos polícias na fronteira". Acrescenta com um humor prático: "é que é difícil ver um preto à noite ".
Do lado de Marrocos, em Saidia encontra mais subsarianos "de várias nacionalidades" e juntos, "sempre durante a noite", frisa, fazem a viagem até Nador pelos seus próprios pés. Sem dinheiro e sem trabalho, Ibrahim diz ter sobrevivido durante os 15 meses que passou naquela cidade e arredores, graças à ajuda dos marroquinos, que numa área dentro de uma mesquita, albergavam alguns africanos a quem davam água e comida.
Resistência, persistência e fé em Deus
Quando entre os dois conseguiram juntar 400 euros, alugaram um outro táxi e partiram para a Argélia. Chegam passado um mês a Oran onde se separam. Simon, na altura já com 18 anos, quer tentar a sua sorte no mundo do futebol desta cidade argelina – “o meu sonho é ser um grande jogador", explica. Ibrahim, mesmo depois de dar conta que tinha perdido o seu passaporte segue viagem para o norte de Marrocos, com destino à cidade autónoma espanhola de Melilla.
“Vivo durante a noite, de dia escondo-me”.
Em Nador, cidade vizinha de Melilla, conta que “tentava todas as noites passar a fronteira”. Por sete vezes conseguiu pisar solo espanhol mas a Guardia Cívil acabava por o apanhar entregando-o à polícia marroquina. Uma dessas vezes, conta que a polícia marroquina o deportou para a Nigéria “não tinham dinheiro para me levar até ao meu país", explica. Depois, "por sorte” chegaram à Argélia durante a noite "e eu consegui fugir dos polícias na fronteira". Acrescenta com um humor prático: "é que é difícil ver um preto à noite ".
Do lado de Marrocos, em Saidia encontra mais subsarianos "de várias nacionalidades" e juntos, "sempre durante a noite", frisa, fazem a viagem até Nador pelos seus próprios pés. Sem dinheiro e sem trabalho, Ibrahim diz ter sobrevivido durante os 15 meses que passou naquela cidade e arredores, graças à ajuda dos marroquinos, que numa área dentro de uma mesquita, albergavam alguns africanos a quem davam água e comida.
Resistência, persistência e fé em Deus
Melilla, Maio 2005. Passaram já oito meses desde o momento em que Ibrahim e mais tarde Simon – que deixou a Argélia passados um meses de lá viver – conseguiram dar o salto de África para a Europa.
Sentam-se à mesa de costas para as montanhas marroquinas Gurugú, para ambos um lar de "más recordações". Em breve o jantar será servido.
"As coisas no CETI estão mal", dizem. "Há muitos, muitos problemas", repetem vezes sem conta. "Os argelinos estão em greve de fome há três dias". Dizem que o que eles querem é o que todos esperam conseguir: um documento passado pela polícia que lhes permite sair de Melilla para a Espanha continental, o chamado Laissé Passer.
Os emigrantes que vivem no CETI de Melilla, se não forem entretanto repatriados ou simplesmente deixados no lado marroquino de Melilla, podem lá ficar meses ou mesmos anos à espera do desejado documento. “Melilla é muito perigosa e por causa do meu problema no olho acham que falo demais”, comenta Ibrahim. Diz que o processo de selecção dos imigrantes a atribuir o Laissé Passer parece-lhe aleatório, mas que "se calhar é mais fácil para os imigrantes que chegam de países com quem a Espanha tem boas relações".
A comida chega entretanto à mesa e fala-se de religião. São os dois cristãos, mas em francês Ibrahim tenta explicar a Simon que os europeus não são tão crentes como os africanos. Simon concorda, mas continua a dizer que a sua existência, o ainda estar vivo após cinco anos de viagem, se deve a Deus. "Quando passei a vedação de Melilla", conta, "estive escondido da polícia num arbusto durante sete dias sem comer, nem beber. A Deus devo a minha sobrevivência e a Deus devo também esta refeição".
O CETI tem regras rígidas e às 10h da noite têm que lá estar. Levo-os de carro. Segundo Ibrahim, todos os imigrantes que chegam ao Centro de Estancia Temporal de Inmigrantes são primeiro entrevistados, depois identificados. "Tiram-nos impressões digitais que são mandadas para todos os países da UE", esclarece que é para a polícia saber quem são, caso provoquem problemas. Explicam-lhes depois as regras do Centro e é-lhes atribuído um cartão de identificação e um quarto que por norma dividem com mais sete pessoas. "Quando saímos", dizem, “temos que fechar tudo num cacifo para não sermos roubados". Mas se há quem saia para o centro de Melilla, numa tentativa de fazerem algum dinheiro com pequenos "trabalhos", outros há que têm “tanto medo que ficam sempre no CETI. Dormem o dia todo”, esclarece Ibrahim.
Durante o dia vêm-se os imigrantes nas ruas principais da cidade a ajudar os condutores de carro a estacionarem ou a saírem de um estacionamento – o trabalho mais comum e a que chamam tira-tira, – lavam carros, levam as compras das pessoas do supermercado até ao carro, ou dos carros para casa, limpam escadas de prédios, carregam móveis em mudanças e outro tipo de pequenas tarefas.
Sentam-se à mesa de costas para as montanhas marroquinas Gurugú, para ambos um lar de "más recordações". Em breve o jantar será servido.
"As coisas no CETI estão mal", dizem. "Há muitos, muitos problemas", repetem vezes sem conta. "Os argelinos estão em greve de fome há três dias". Dizem que o que eles querem é o que todos esperam conseguir: um documento passado pela polícia que lhes permite sair de Melilla para a Espanha continental, o chamado Laissé Passer.
Os emigrantes que vivem no CETI de Melilla, se não forem entretanto repatriados ou simplesmente deixados no lado marroquino de Melilla, podem lá ficar meses ou mesmos anos à espera do desejado documento. “Melilla é muito perigosa e por causa do meu problema no olho acham que falo demais”, comenta Ibrahim. Diz que o processo de selecção dos imigrantes a atribuir o Laissé Passer parece-lhe aleatório, mas que "se calhar é mais fácil para os imigrantes que chegam de países com quem a Espanha tem boas relações".
A comida chega entretanto à mesa e fala-se de religião. São os dois cristãos, mas em francês Ibrahim tenta explicar a Simon que os europeus não são tão crentes como os africanos. Simon concorda, mas continua a dizer que a sua existência, o ainda estar vivo após cinco anos de viagem, se deve a Deus. "Quando passei a vedação de Melilla", conta, "estive escondido da polícia num arbusto durante sete dias sem comer, nem beber. A Deus devo a minha sobrevivência e a Deus devo também esta refeição".
O CETI tem regras rígidas e às 10h da noite têm que lá estar. Levo-os de carro. Segundo Ibrahim, todos os imigrantes que chegam ao Centro de Estancia Temporal de Inmigrantes são primeiro entrevistados, depois identificados. "Tiram-nos impressões digitais que são mandadas para todos os países da UE", esclarece que é para a polícia saber quem são, caso provoquem problemas. Explicam-lhes depois as regras do Centro e é-lhes atribuído um cartão de identificação e um quarto que por norma dividem com mais sete pessoas. "Quando saímos", dizem, “temos que fechar tudo num cacifo para não sermos roubados". Mas se há quem saia para o centro de Melilla, numa tentativa de fazerem algum dinheiro com pequenos "trabalhos", outros há que têm “tanto medo que ficam sempre no CETI. Dormem o dia todo”, esclarece Ibrahim.
Durante o dia vêm-se os imigrantes nas ruas principais da cidade a ajudar os condutores de carro a estacionarem ou a saírem de um estacionamento – o trabalho mais comum e a que chamam tira-tira, – lavam carros, levam as compras das pessoas do supermercado até ao carro, ou dos carros para casa, limpam escadas de prédios, carregam móveis em mudanças e outro tipo de pequenas tarefas.
Mesmo este tipo de “trabalho” que fazem não é fácil. Enfrentam atitudes racistas por parte de marroquinos. Assisto a um episódio mesmo em frente a casa, onde vários imigrantes se encontram no seu tira tira diário. São quase seis da tarde e um marroquino alcoolizado ziguezagueando em direcção a um imigrante grita-lhe em espanhol: “Dá-me o teu dinheiro”. O subsariano tenta ignorá-lo, mas ele aproxima-se cada vez mais falando ainda mais alto: “Isto é Marrocos o que é que fazes aqui?, vai para África”. Não tendo a atenção pretendida começa a afastar-se, mas sempre a gritar: “Vai para o teu país preto que isto é Marrocos".
"Eu tenho vergonha de fazer este trabalho de tira tira", diz Ibrahim. "A maior parte das pessoas nem olha para nós". Conta que "ainda ontem" lhe deram cinco cêntimos, "isso não é dinheiro… os camaronenses são limpos e precisamos de comprar roupa", desabafa.
"Eu tenho vergonha de fazer este trabalho de tira tira", diz Ibrahim. "A maior parte das pessoas nem olha para nós". Conta que "ainda ontem" lhe deram cinco cêntimos, "isso não é dinheiro… os camaronenses são limpos e precisamos de comprar roupa", desabafa.
Em média, conseguem fazer três euros por semana, mas dizem que "se um marroquino lava um carro pagam-lhe quatro, cinco euros, se for um moreno, pagam um euro".
Conta ainda que à noite há marroquinos à espera que os imigrantes façam o seu caminho de volta ao Centro para lhes roubarem as moedas que fizeram durante o dia no tira tira ou outros trabalhos ocasionais, “às vezes ameaçam-nos com navalhas”.
Pergunto a Ibrahim, se depois de todas estas dificuldades pensa em voltar para os Camarões. “Só para visitar a família, não tenho lá trabalho”, diz, acrescentando que o objectivo dele é chegar à “verdadeira Europa”, arranjar trabalho e tirar um curso superior. “Depois quando tiver dinheiro, vou mandar vistos para os meus irmãos para também eles poderem estudar na universidade”.
Todos os meses centenas de africanos arriscam tudo o que têm na esperança de encontrarem um futuro melhor. Todos os anos centenas, talvez milhares, se afogam nos mares do sul da Espanha. Outros morrem de frio, de calor, de sede ou de fome durante a grande viagem para atravessar o deserto do Sara. A costa de Espanha é fortemente vigiada, assim como os enclaves espanhóis de Melilla e Ceuta que contam ainda com cercas duplas de arame farpado que, em princípios de 2006, terão seis metros de altura em todo o seu perímetro. Mesmo assim todas as noites haverá pessoas, suficientemente persistentes a tentar escalar as barreiras. Aliás, e como ficou provado na noite de 2 para 3 de Outubro em Melilla, centenas de imigrantes tentaram de novo saltar a vedação e fizeram-no, desta vez, na parte em que a cerca tem já os seis metros de altura.
Conta ainda que à noite há marroquinos à espera que os imigrantes façam o seu caminho de volta ao Centro para lhes roubarem as moedas que fizeram durante o dia no tira tira ou outros trabalhos ocasionais, “às vezes ameaçam-nos com navalhas”.
Pergunto a Ibrahim, se depois de todas estas dificuldades pensa em voltar para os Camarões. “Só para visitar a família, não tenho lá trabalho”, diz, acrescentando que o objectivo dele é chegar à “verdadeira Europa”, arranjar trabalho e tirar um curso superior. “Depois quando tiver dinheiro, vou mandar vistos para os meus irmãos para também eles poderem estudar na universidade”.

Todos os meses centenas de africanos arriscam tudo o que têm na esperança de encontrarem um futuro melhor. Todos os anos centenas, talvez milhares, se afogam nos mares do sul da Espanha. Outros morrem de frio, de calor, de sede ou de fome durante a grande viagem para atravessar o deserto do Sara. A costa de Espanha é fortemente vigiada, assim como os enclaves espanhóis de Melilla e Ceuta que contam ainda com cercas duplas de arame farpado que, em princípios de 2006, terão seis metros de altura em todo o seu perímetro. Mesmo assim todas as noites haverá pessoas, suficientemente persistentes a tentar escalar as barreiras. Aliás, e como ficou provado na noite de 2 para 3 de Outubro em Melilla, centenas de imigrantes tentaram de novo saltar a vedação e fizeram-no, desta vez, na parte em que a cerca tem já os seis metros de altura.
À semelhança de países europeus que tiveram colónias em África, também Portugal – que através da expedição a Ceuta, conquistada por D. Henrique, tornou-se o primeiro país europeu em Africa – esqueceu a responsabilidade histórica para com “estes irmãos africanos”, adoptando uma atitude passiva perante tais acontecimentos. Diversas organizações de Direitos Humanos acusam a União Europeia de ferir convenções internacionais. “ A Europa fechou completamente a porta à imigração e contrata com os governos que não respeitam os direitos humanos o papel de polícia”, acusa Miguel Portas que integrou o grupo de eurodeputados do Grupo Parlamentar de Esquerda Unitária que se deslocou a Melilla para analisar a situação dos imigrantes ilegais e visitar campos de refugiados.
O relatório elaborado pela ONU alerta ainda para o “papel dos migrantes na luta contra a pobreza”, referindo que as transferências de fundos para países pobres ultrapassa os 150 mil dólares por ano. Isto é, três vezes mais o montante da ajuda oficial ao desenvolvimento.
Isabel Abreu
Hoje em Bagdad
Sporting vs Belenenses 20Maio07
No momento em que o FC Porto celebrava mais um título de campeão nacional,em Alvalade celebrava-se o "ser sportinguista". Arrepiante..
26.5.07
Governo Venezuelano e a Radio Caracas Television
Caracas-A 28 de dezembro de 2006, poucos dias depois da sua reeleição, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, fez um anúncio surpresa, ainda que não totalmente inesperado.
"Não será renovada a concessão para este canal golpista de televisão que se chama Radio Caracas Televisión (RCTV)", palavras que Chávez usou, para anunciar que um dos meios de comunicação mais críticos ao seu governo, sairía do ar.

Caracas-Primeira televisão a chegar a casa dos venezuelanos, prestes a fechar. Manifestantes pro-Chavez apoiam a decisão de encerramento do canal.
Iniciou-se nesse dia, uma batalha jurídica e mediática, cujo momento decisivo deve acontecer no próximo dia 28 de maio, quando expira a concessão para explorar o canal 2 UHF, que a RCTV detém há 53 anos.
A RCTV é o canal privado mais antigo e de maior audiência da Venezuela.
Para substituir o canal, vai entrar no ar a Televisora Venezolana Social (TEVES), recentemente criada pelo governo para ocupar esta frequência, com uma programação classificada como de "serviço público".
"Dano ao país"
Acusou inicialmente Hugo Chávez que a RCTV seria uma estação "golpista", o presidente do governo partiu para outros argumentos, dizendo que não se trata de um "encerramento", mas apenas de uma retirada da concessão, que de acordo com a Lei das Telecomunicações, é uma prerrogativa do Executivo federal.
Hugo Chávez: "Este canal de televisão já causou muitos danos ao país"
"Esse canal já provocou muitos danos ao país, durante muito tempo: os valores negativos, o bombardeio mediático de violência, o ódio, o racismo, o sexo mal visto e mal entendido, o desrespeito às mulheres,às crianças, o desrespeito às muitas manifestações da vida social, aos homossexuais, ao país e ao mundo e às pessoas que tem alguma deficiência. Essa é a razão de fundo", afirmou Chávez.
O ministério da Comunicação e Informação publicou um dossier que ganhou o nome de Livro Branco da RCTV, no qual há uma série de acusações contra a emissora, que vão desde suspeitas de promoção da violência, até maus tratos contra funcionários.
Caracas-Estudante durante um protesto em Caracas, contra a decisão do Governo de Hugo Chávez, de não renovar a concessão de uso de frequência que a operadora RCTV usava desde 1954Os porta-vozes oficiais argumentam que ainda assim, a RCTV vai poder continuar a funcionar, embora o presidente Chavéz tenha chegado a levantar a possibilidade de tomar o património da empresa para a nova TV pública criada pelo governo.
"A RCTV poderá continuar a transmitir via satélite ou por cabo. Esse é um direito deles e que ninguém vai negar", afirmou o ministro da Comunicação e Informação, William Lara, numa entrevista à TV estatal.
As pesquisas indicam que 80% da população está contra a retirada da RCTV do ar, números que o governo classifica de "irreais".
Mas não seria a liberdade de expressão e sim a liberdade de escolha a grande motivadora da desaprovação popular à medida.
"O que as pessoas dizem é que não vão mais poder assistir a uma telenovela da RCTV, ou ver a Rádio Rochela, que é o programa de humor mais clássico da Venezuela, ou ao programa Quem Quer Ser Milionário", diz o director da instituto de consultas de opinião Datanalisis.
Segundo as conclusões do instituto, o grosso dos telespectadores não entende porque é que este conflito entre o governo e os media tem que afectá-los ,já que o grande problema é a linha editorial dos programas matutinos de opinião que, ironicamente, têm uma das audiências mais baixas da emissora.
Imagem da Semana
Criança palestiniana corre após explosão de míssil israelita numa área próxima à base do Hamas, em Nusseirat, na faixa de Gaza. Israel realizou novos ataques contra supostas instalações do Hamas, neste sábado, na Faixa de Gaza, matando pelo menos cinco militantes do Hamas e deixando diversos civis feridos.
24.5.07
3,99
Montra de loja chinesa? Mini-prato? Promoção fantástica de um hipermercado? Também, mas não só. É o valor da dívida de uma mulher de 70 anos acusada de furto e levada a julgamento nos juízes criminais do Porto. A matéria é "suficientemente grave" para ir a julgamento, entendeu o MP. O processo remonta a Outubro de 2005.
A septuagenária, depois de uma consulta, foi apanhada pelo segurança de um supermercado. Depois de devolver o objecto e passados 14 meses recebeu a acusação do MP do Porto.
Os juízes do Tribunal da Relação do Porto, num processo similar,onde se julgava o furto de uma embalagem de queijo, no valor de 1,29 euros, disseram que um valor desprezível era apenas o furto de “um palito, um alfinete, um botão, uma folha de papel, um grão de milho ou um bago de uva”. Nesse processo entenderam, que a embalagem de queijo não podia ser comparada a nenhum desses objectos, não podendo ser o valor apelidado de “desprezível”. Revogaram a decisão de um juiz da primeira instância, que considerara que o processo não tinha dignidade para ir a julgamento, por o valor em causa ser “inferior às gorjetas dadas em restaurantes e aos arrumadores de carros das grandes cidades”. Os desembargadores da Relação do Porto disseram que não. Asseguram, Portugal ainda é um “país rural”. Bravo.
Não vou abordar as já rebatidas custas judiciais, só em fotocópias, ultrapassam certamente o valor do "creme de beleza", o número de pessoas mobilizado para o caso(funcionários, procurador, juíz), a falta de dignidade de duas grades de vinho à pressão da Mealhada, o número de processos pendentes em 1ª Instância por situações idênticas, a Justiça em mora,pois afinal,as considerações dos nossos juízes falam por si e explicam o nosso Modus vivendi . Resta-me desejar a esta septuagenária, "Boa Sorte! Tudo de bom!".
A septuagenária, depois de uma consulta, foi apanhada pelo segurança de um supermercado. Depois de devolver o objecto e passados 14 meses recebeu a acusação do MP do Porto.
Os juízes do Tribunal da Relação do Porto, num processo similar,onde se julgava o furto de uma embalagem de queijo, no valor de 1,29 euros, disseram que um valor desprezível era apenas o furto de “um palito, um alfinete, um botão, uma folha de papel, um grão de milho ou um bago de uva”. Nesse processo entenderam, que a embalagem de queijo não podia ser comparada a nenhum desses objectos, não podendo ser o valor apelidado de “desprezível”. Revogaram a decisão de um juiz da primeira instância, que considerara que o processo não tinha dignidade para ir a julgamento, por o valor em causa ser “inferior às gorjetas dadas em restaurantes e aos arrumadores de carros das grandes cidades”. Os desembargadores da Relação do Porto disseram que não. Asseguram, Portugal ainda é um “país rural”. Bravo.
Não vou abordar as já rebatidas custas judiciais, só em fotocópias, ultrapassam certamente o valor do "creme de beleza", o número de pessoas mobilizado para o caso(funcionários, procurador, juíz), a falta de dignidade de duas grades de vinho à pressão da Mealhada, o número de processos pendentes em 1ª Instância por situações idênticas, a Justiça em mora,pois afinal,as considerações dos nossos juízes falam por si e explicam o nosso Modus vivendi . Resta-me desejar a esta septuagenária, "Boa Sorte! Tudo de bom!".
16.5.07
Nova lei da nacionalidade
A nova Lei da Nacionalidade, Lei Orgânica n.º 2/2006, foi regulamentada através do Decreto-Lei n.º 237-A/2006 de 14 de Dezembro, entrando em vigor no dia 15 de Dezembro de 2006.
A principal alteração com a entrada em vigor da nova lei foi o reforço do ius soli como critério de atribuição e aquisição da nacionalidade de forma a prevenir a exclusão social. Quem nasceu no nosso país, nunca esteve noutro país, trabalha ou anda na escola no nosso país, não falam outra língua que não o português, como pode ser considerado imigrante?
A nova Lei ,no entanto não, confere a nacionalidade de forma automática a todos os que nasçam em Portugal. Seria um incentivo à imigração clandestina(reservas neste termo, imigração ilegal,ie, seres humanos ilegais?).O sistema continua a privilegiar o ius sanguini (na aquisição originária por filiação não há, praticamente, outros requisitos, enquanto que para o ius soli há normalmente a regra da legalidade dos pais) mas há um reforço significativo do ius soli, retomando tradição legislativa abandonada em 1981, paradoxalmente (ou não) quando Portugal se começou a tornar um país de acolhimento e não só de embarque.
A principal alteração com a entrada em vigor da nova lei foi o reforço do ius soli como critério de atribuição e aquisição da nacionalidade de forma a prevenir a exclusão social. Quem nasceu no nosso país, nunca esteve noutro país, trabalha ou anda na escola no nosso país, não falam outra língua que não o português, como pode ser considerado imigrante?
A nova Lei ,no entanto não, confere a nacionalidade de forma automática a todos os que nasçam em Portugal. Seria um incentivo à imigração clandestina(reservas neste termo, imigração ilegal,ie, seres humanos ilegais?).O sistema continua a privilegiar o ius sanguini (na aquisição originária por filiação não há, praticamente, outros requisitos, enquanto que para o ius soli há normalmente a regra da legalidade dos pais) mas há um reforço significativo do ius soli, retomando tradição legislativa abandonada em 1981, paradoxalmente (ou não) quando Portugal se começou a tornar um país de acolhimento e não só de embarque.
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